Partir-Moçambique

PEMBA - Moçambique

24 de Outubro de 2016

Em missão por terras de Moçambique, acabamos de receber esta mensagem do nosso colega Armista e Membro da Direcção da ARM:


Jovem casal, Leigos missionários em PembaCaros/as amigos/as,

Espero encontrar-vos bem, de boa saúde (como se diz aqui em Moçambique) e com ânimo neste caminho belo que é a própria vida.

Nós (eu e a Sofia) cá nos encontramos nesta “terra gloriosa” de Moçambique, mais concretamente na cidade de Pemba e ficaremos por cá até julho do próximo ano.

Não caímos de para-quedas. O facto de aqui estarmos é fruto de um caminho bastante longo, que teve como ponto de partida o ano de 2001. Nessa altura, Pemba foi-me “oferecida” pela SMBN para realizar o meu estágio missionário, na Paróquia Maria Auxiliadora onde se encontrava o padre Albino e onde, ainda, se encontra o Irmão Godinho. Estive aqui durante onze meses. Onze meses em África, como devem imaginar, dá para muita coisa. Em primeiro lugar, dá para parar porque, antes de tudo, é necessário compreender um pouco do chão que pisámos. E nesse confronto com a realidade, somos obrigados a “reformularmo-nos” interiormente. E depois, com naturalidade, dá para se construir vínculos de amizade e de crescimento mútuo consistentes, que até hoje não se apagaram. Todos os dias há reencontros, abraços, partilha de memórias. E como foi saboroso, hoje, reencontrar o Hassane (a quem ensinei a conduzir) e a Genia (dos jovens da paróquia) na cerimónia de graduação da UCM (Universidade Católica de Moçambique)!

Depois destes onze meses, mais três meses de agosto espaçados no tempo, como Leigo Boa Nova, em 2005, 2010 e 2013. Em 2013 também veio a Sofia, e também ela se apaixonou por esta terra. Entretanto, começámos a namorar, tendo-nos casado no passado dia 27 de agosto.

Considerámos que o nosso primeiro ano de casamento era o tempo propício para voltarmos a Pemba. E cá estamos. Aqui já nos sentimos em casa, por isso não foi necessário um período de adaptação.

A nossa missão centra-se na colaboração com a Paróquia Maria Auxiliadora e com a Diocese. Na paróquia o nosso trabalho consistirá, para já, no seguinte:

- Elaboração do diagnóstico social das crianças das escolinhas e acompanhamento de apadrinhamentos no âmbito de um projeto financiado pela Mão Unidas.

- Colaboração com a “Ajuda Fraterna” (Caritas paroquial). Esta colaboração consiste na identificação de situações de pobreza absoluta e na atribuição de uma ajuda, conforme as necessidades;

- Colaboração na formação cristã às várias lideranças da paróquia (catequistas, animadores, membros de comissões…)

- Formação na área da informática e comunicação a dois jovens da paróquia para a criação e dinamização de plataformas web da paróquia.

Na diocese, o Sr. Bispo, Dom Luiz Lisboa, pediu-nos que colaborássemos com a Caritas diocesana, nomeadamente, na elaboração de projetos de desenvolvimento local, no âmbito da agricultura, segurança alimentar, infraestruturas, formação, saúde, etc. E como o bispo vai à Itália no início de novembro, esta semana será de muito trabalho. Ele quer levar o máximo de projetos possível para submeter a algumas entidades católicas, tais como a Sancta Infantia, a Propaganda Fide, a Missio, etc.

Vamos também, colaborar, com o Colégio D. Bosco, não como docentes, mas na estruturação do seu projeto pastoral. É certo que a maioria dos alunos são muçulmanos, mas isso não impede que se estabeleçam marcas católicas, visíveis no quotidiano escolar. É um terreno sensível, delicado, mas muito estimulante, especialmente para mim que já trago alguma experiência neste campo do colégio de S. Gonçalo de Amarante. Depois, será a vez de trabalhar nas unidades curriculares da disciplina de Religião e Moral... Claro que tudo isto será feito a partir da experiência dos professores e com os professores. Eles é que conhecem os alunos. De outra forma seria um erro.

São 18.30 e já se ouve, através dos altifalantes, o muezim da mesquita mais próxima daqui a convidar para a oração e a lembrar-nos que a hora do jantar está a chegar. Por isso, por agora ficamos por aqui. Depois daremos mais notícias!

Resta-nos agradecer a vossa oração e todo o apoio que muitos de vocês têm prestado à notável obra que os missionários da Boa Nova (padres, irmãos e leigos) têm realizado aqui em Moçambique.

Bem-hajam! Estamos juntos!

a) Sérgio e Sofia

 


 

 

MOÇAMBIQUE: Terra de magia

Testemunho, Agosto de 2011


Este ano, as férias da família foram de visita às missões em Moçambique. Era com grandes expectativas que todos aguardávamos esta viagem. Pessoalmente tinha alguns receios que saíssem goradas. No entanto, e para grande felicidade nossa foram assustadoramente ultrapassadas. Tanta felicidade inesperada assustou-nos a todos. Ainda não consegui absorver toda a emoção, generosidade (de quem nada tem), informação (vista e escutada), aprendizagem, testemunhos, mensagens e exemplos, com que nos deparámos. Foi uma viagem, foi “a viagem”, divinal (no sentido literal da palavra) das nossas vidas. Viemos diferentes. Viemos muito, mas muito, mais ricos. Uma riqueza de valores que não são contabilizáveis e que eu tenho a consciência de que não conseguirei transmitir-vos com a fidelidade que deveria e queria, e que todos, nós cá e eles lá, mereciam.



Já conhecíamos, desde há muito, os frequentes testemunhos desses nobres homens de Deus que são os nossos missionários, mas foi preciso sentir e ver, como Tomé. Ainda assim, sinto-me como se apenas tivesse molhado o dedo do pé, não cheguei a imergir. Tenho que lá voltar.


Uma palavra de agradecimento a todos os missionários que tornaram possível esta extraordinária experiência. De cada um em particular falarei nas crónicas que pretendo fazer no Boletim.



Ainda não tive coragem, nem arrumei as ideias, pelas razões acima mencionadas, para escrever sobre a viagem. Estas são as primeiras letras, e ainda desconexas como se verifica. Irei partilhar convosco esta vivência, mas seria muito maçudo escrever, e principalmente para vós lerdes, tudo de uma vez, pelo que vou impor-me um plano:

 

1.       No próximo Boletim tentarei descrever a chegada a Moçambique e a estadia em Pemba;

2.       No seguinte, a viagem para Nampula, com passagem pela missão de Ocúa e Ilha de Moçambique, e a experiência em Nametil;

3.       Viagem de combóio, fabulosa e inolvidável, para Malema, visitas a Mutuáli e Nataleia;

4.       Por último, Chibuto e Maputo.

As fotografias (3564 ao todo!) serão partilhadas em filmes distintos e a seu tempo.

Lisboa, 2011

a) Santos Ponciano

 

Nota - Esta viagem teve inspiração no projecto "Um Sorriso para Ti", onde poderão ler e ver mais.

 
 

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